Quarta-feira, 7 de outubro de 2026
Posicionamento sobre o processo eleitoral
A Cozinha Solidária CHM, iniciativa da sociedade civil comprometida com o enfrentamento da fome, a promoção da segurança alimentar e nutricional e a defesa dos direitos humanos, vem a público manifestar seu posicionamento diante do atual processo eleitoral.
As Cozinhas Solidárias são fruto da organização da sociedade civil e da mobilização em torno do direito humano à alimentação adequada. A partir do Projeto de Lei de autoria do então deputado Guilherme Boulos e do deputado Pastor Henrique Vieira, essa experiência passou a integrar uma política pública federal durante o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Para a Cozinha Solidária CHM, a fome não é uma questão meramente individual. Ela está relacionada a escolhas econômicas, sociais e políticas que interferem diretamente nas condições de vida da população. Por isso, seu enfrentamento exige políticas públicas permanentes, investimento social e compromisso institucional com a garantia de direitos.
É a partir desses princípios que a Cozinha Solidária CHM defende a democracia, os direitos humanos, a proteção social e o direito à alimentação adequada, além da continuidade das políticas públicas de segurança alimentar e nutricional.
Nesse contexto, a organização manifesta seu apoio à candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência da República. A decisão considera sua trajetória de governo e a implementação de políticas públicas voltadas à superação da fome e à segurança alimentar.
A posição eleitoral da Cozinha Solidária CHM parte, portanto, dos mesmos princípios que orientam sua atuação cotidiana: combater a fome, defender direitos e contribuir para que a população tenha acesso a uma alimentação adequada.
As políticas de segurança alimentar devem ser preservadas e fortalecidas, independentemente de governos, por serem instrumentos essenciais para a garantia de direitos e a proteção da população em situação de vulnerabilidade social.
Neste processo eleitoral, a Cozinha Solidária CHM defende um projeto de país que tenha como prioridades a superação da fome, a redução das desigualdades e a garantia de direitos sociais.
Cozinha Solidária CHM
Sexta-feira, 18 de setembro de 2026
Programação reúne exibições, rodas de conversa e oficinas entre os dias 16 e 20 de novembro, no CIEP Nelson Ramos, no Espaço Sociocultural Francisco de Assis e na sede do CCPBaixada.
Onde estão as pessoas negras no cinema brasileiro? Quem conta essas histórias, quem produz, quem tem acesso aos equipamentos e à formação e, principalmente, como essa produção consegue sobreviver? Essas são algumas das perguntas que vão atravessar a IV Semana da Consciência Negra e Periférica, realizada pelo Ponto de Cultura Centro de Cultura Popular da Baixada Fluminense (CCPBaixada) entre os dias 16 e 20 de novembro de 2026.
A programação passa pelo CIEP Nelson Ramos, no Centro de Mesquita; pelo Espaço Sociocultural Francisco de Assis, na Chatuba; e pela sede do CCPBaixada, também em Mesquita. Nesta edição, o evento parte de uma provocação direta: “Tem lugar pra gente preta no cinema brasileiro?”.
A programação coloca o cinema no centro das discussões sobre cultura, território e economia. O Cineclube Genário de Moura, uma das vertentes do CCPBaixada, propõe uma jornada para direcionar o olhar à presença negra no audiovisual brasileiro a partir da Baixada Fluminense, passando pela história dessa produção, pelo cenário atual e pelas condições que permitem que filmes, profissionais e iniciativas culturais continuem existindo.
Mas a proposta amplia a discussão para além da presença de pessoas negras diante das câmeras. A Semana também pretende discutir o cinema negro como parte da economia da cultura, abordando quem produz, de onde vêm essas produções, como elas se sustentam financeiramente e de que maneira esse imaginário construído a partir de vivências negras e periféricas consegue alcançar outros públicos.
Entre os temas previstos estão o acesso à produção audiovisual por meio da plataforma Tela Brasil, o cenário do cinema na Baixada Fluminense, a presença da negritude nas diferentes etapas da produção cinematográfica, a relação entre cinema negro e economia da cultura e a formação de novos profissionais para o setor. A programação prevê a participação de representantes e convidados ligados a essas áreas, além de produtores da região.
Programação do evento
A IV Semana da Consciência Negra e Periférica começa no dia 16 de novembro, com a Sessão Tela Brasil, que terá curta-metragem e debate no CIEP Nelson Ramos, no Centro de Mesquita, em dois horários, pela manhã e à tarde. A atividade tem capacidade para 70 pessoas.
No dia seguinte, a sessão será realizada no Espaço Sociocultural Francisco de Assis, na Rua Abaeté, nº 11, na Chatuba, também nos períodos da manhã e da tarde. Esse espaço também vai receber duas oficinas: no dia 18 de novembro, a atividade “Criançada no roteiro” será voltada para crianças. No dia 19, será a vez da oficina “Celular na mão e uma ideia na cabeça”. As duas atividades terão capacidade para 20 crianças sentadas e acontecerão pela manhã e à tarde.
A Semana termina no dia 20 de novembro, justamente no Dia da Consciência Negra, com a exibição do filme “Tem lugar pra gente preta no cinema brasileiro?”, seguida de roda de conversa. O encontro acontecerá à noite, na sede do CCPBaixada, na Rua Josefina, 840, com capacidade para 30 pessoas sentadas.
Sábado, 8 de agosto de 2026
Reizado Flor da Primavera, Jornada Manjedoura Mirim e Cisin Afoxé representaram o Rio de Janeiro em uma edição que reuniu grupos de diferentes regiões e teve o estado como homenageado.
O Centro de Cultura Popular da Baixada Fluminense (CCPBaixada) participou do 62º Festival do Folclore de Olímpia (Fefol), realizado em Olímpia, São Paulo, entre os dias 1º e 8 de agosto. Em uma edição dedicada ao estado do Rio de Janeiro, a instituição levou para o encontro o Reizado Flor da Primavera, a Jornada Manjedoura Mirim, do K11, e o Cisin Afoxé, ampliando a presença da cultura popular da Baixada em uma programação que reuniu grupos de diferentes partes do país.
A participação foi viabilizada pelo edital Mobilidades 2026, da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Rio de Janeiro (Secec/RJ). Sob a orientação do mestre Wellington “Boquinha”, o Reizado Flor da Primavera integrou a programação ao lado de grupos formados por crianças, adolescentes, jovens, adultos e idosos.
Para o diretor-presidente do CCPBaixada e pesquisador Ivan Machado, a experiência em Olímpia permitiu observar de perto a dimensão que as culturas populares podem alcançar quando existe continuidade, investimento e espaço para a transmissão dos saberes.
Em entrevistas realizadas durante o festival, a troca com figuras importantes do encontro destacou a longevidade do Fefol e a capacidade do encontro de reunir diferentes gerações em torno das tradições.
— Impressionante encontro em que mais de 50 grupos culturais, com crianças, jovens, adolescentes, adultos e idosos, mostraram a relevância das culturas populares e tradicionais — diz Ivan.
Também é destaque o caráter continuado da iniciativa, já que a existência do festival há mais de seis décadas demonstra a importância de transformar a valorização da cultura popular em política permanente.
A renovação das tradições apareceu como um dos temas centrais das conversas realizadas durante a programação. Em Olímpia, a equipe do CCPBaixada encontrou grupos que mantêm manifestações culturais por meio da participação de novas gerações, muitas vezes dentro das próprias famílias e escolas.
O pesquisador de culturas populares Cris Assis contou que a história do próprio festival está ligada à educação. Segundo ele, o professor José Santana começou, na década de 1950, a levar pesquisas sobre manifestações populares para dentro da escola pública e a aproximar crianças das tradições culturais existentes na cidade. O trabalho chegou às praças de Olímpia e, em 1965, deu origem à primeira edição do festival.
— O investimento primordial é a educação. É na educação e na cultura, de mãos dadas, que se fortalece toda essa questão e se traz essa ancestralidade e o porquê de nós existirmos e sermos o que somos — explica Assis.
A relação entre tradição e formação também apareceu na conversa com as chamadas Duas Marias, integrantes do grupo Parafuso, de Olímpia. Elas contaram que tiveram contato com o folclore ainda na adolescência, a partir do trabalho de José Santana, e passaram a pesquisar diretamente as manifestações existentes na cidade.
— Nós nascemos nisso, nesse mundo. Por isso que é bem da gente.
Em outro momento, uma das integrantes resumiu o significado dessas manifestações para além da própria cidade.
— É a nossa história. É a nossa história. É a nossa origem.
O relato das integrantes também trouxe à tona as marcas da escravidão presentes na memória de algumas manifestações, como o Parafuso. Segundo elas, as roupas utilizadas pelo grupo remetem às peças usadas pelas mulheres das casas-grandes e à história de pessoas escravizadas que aproveitavam essas vestimentas em tentativas de fuga. A tradição, nesse caso, preserva também uma narrativa de resistência.
A dimensão familiar da transmissão cultural apareceu ainda na conversa com Aston Junior, produtor do festival e integrante de uma família com longa trajetória ligada à cultura e às religiões de matriz africana. Ele contou que sua família possui uma tradição de mais de seis décadas registrada em terreiro de Umbanda.
Para Aston, as casas de Axé também exercem um papel importante na preservação e transmissão da cultura popular. Ao falar sobre essa relação, destacou a importância do acolhimento e da continuidade dos saberes entre gerações.
— As religiões de matriz africana têm como prioridade abraçar e acolher todas as pessoas, independentemente de classe social, independentemente de cor — afirma.
A presença dessas diferentes vozes reforçou, ao longo do festival, que as culturas populares não existem apenas como espetáculo. Elas são construídas na escola, nas famílias, nas comunidades, nos terreiros, nas festas e nos grupos que mantêm vivos conhecimentos transmitidos ao longo do tempo.
A participação do CCPBaixada também incluiu a Jornada Manjedoura Mirim, do K11, e o Cisin Afoxé, ampliando a representação da diversidade cultural do estado do Rio de Janeiro na programação. Durante a passagem por Olímpia, a comitiva participou ainda da missa festiva na Paróquia São João Batista.
Com 62 anos de história, o Festival do Folclore de Olímpia se consolidou como um espaço de circulação e encontro entre diferentes tradições brasileiras. Para o CCPBaixada, estar nessa edição significou levar ao festival manifestações da Baixada Fluminense e, ao mesmo tempo, ouvir outras experiências de preservação cultural, formação e transmissão de saberes.
Quarta-feira, 30 de julho de 2026
Publicação reúne pesquisa sobre o reisado, homenageia mestres da cultura popular e propõe um olhar sobre a potência cultural da Baixada Fluminense.
No dia 30 de agosto, às 17h, o Centro de Cultura Popular da Baixada Fluminense (CCPBaixada) recebe o lançamento do livro "Folias de Reis na Baixada Fluminense", de Ivan Machado. O evento acontece na sede da instituição, localizada na Rua Josefina, 840, em Mesquita, com entrada gratuita.
A obra reúne anos de pesquisa e atuação de Ivan Machado junto às manifestações da cultura popular da Baixada Fluminense. Ao longo das páginas, o autor apresenta um panorama das Folias de Reis na região e destaca o papel de mestres e mestras que mantêm viva essa tradição por meio da oralidade, da fé, da música e da convivência comunitária.
O livro também dialoga com a trajetória de Ivan à frente do CCPBaixada, instituição dedicada à valorização das culturas populares e ao fortalecimento de iniciativas culturais construídas nos territórios da Baixada. A publicação busca, além de registrar uma manifestação tradicional, reconhecer o trabalho de homens e mulheres que preservam saberes transmitidos entre gerações.
Ao abordar o reisado fluminense, a obra também contribui para ampliar o olhar sobre a produção cultural da Baixada Fluminense, frequentemente marcada por estigmas que ocultam a riqueza de suas manifestações populares. Nesse contexto, as Folias de Reis aparecem como expressão de memória, identidade e organização comunitária, reunindo diferentes gerações em torno de um patrimônio cultural vivo.
O lançamento será um momento de encontro entre pesquisadores, agentes culturais, foliões e moradores interessados em conhecer mais sobre essa tradição que integra a história e a identidade da região.
Serviço
Lançamento do livro 'Folias de Reis na Baixada Fluminense'
📅 30 de agosto (domingo), às 17h
📍 CCPBaixada – Rua Josefina, 840, Mesquita (RJ)
🎟️ Entrada gratuita
Domingo, 28 de junho de 2026
Segunda edição da Sessão Tela Brasil leva cinema brasileiro e roda de conversa ao público atendido pela Cozinha Solidária CHM.
O Cineclube Genário de Moura realiza, na próxima terça-feira, dia 30 de junho, a segunda edição da Sessão Tela Brasil com a exibição do curta-metragem "Um Vestido para Ver a Mamãe" (2020), dirigido por Karen Suzane e com roteiro de Clara Ferrer. A iniciativa busca ampliar o acesso ao cinema nacional entre as famílias atendidas pela Cozinha Solidária CHM, transformando o audiovisual em ponto de partida para reflexões sobre temas presentes no cotidiano da comunidade.
Ambientado em 1972, o filme acompanha Márcia, uma menina de nove anos que enfrenta a ausência física e emocional da mãe durante quatro meses. Enquanto assume responsabilidades dentro de casa e ajuda a cuidar dos irmãos, em uma família interracial de classe média baixa, ela encontra na memória e no afeto materno a força para seguir em frente. Inspirado em uma história real, o curta aborda temas como infância, relações familiares e desigualdade de gênero, combinando delicadeza e elementos de realismo fantástico.
Após a exibição, o público participa de uma roda de conversa sobre os temas apresentados pelo filme, proposta que faz parte da programação do Cineclube Genário de Moura desde o início da parceria com a plataforma Tela Brasil.
As sessões acontecem enquanto as famílias aguardam a entrega das refeições distribuídas pela Ação da Cidadania, criando um espaço de acesso à cultura, diálogo e troca de experiências.
A Sessão Tela Brasil é realizada todas as terças-feiras, às 11h, no Espaço Sociocultural São Francisco de Assis, localizado na Rua Abaeté, nº 11, na Chatuba, em Mesquita. A participação é gratuita e aberta ao público.
Sexta-feira, 19 de junho de 2026
Encontro reuniu moradores, lideranças comunitárias e representantes da Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro para discutir desafios relacionados à segurança alimentar, abastecimento de água e acesso à saúde.
A Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro esteve na Chatuba de Mesquita na última terça-feira, dia 16 de junho, para ouvir moradores, lideranças comunitárias e organizações sociais sobre os principais desafios enfrentados pela população no acesso a direitos.
A visita reuniu representantes do 5º Núcleo Regional de Tutela Coletiva e da Ouvidoria-Geral da Defensoria Pública no Espaço Sociocultural do Centro de Cultura Popular da Baixada Fluminense (CCPBaixada).
As demandas apresentadas durante o encontro foram construídas a partir do diálogo permanente entre moradores, lideranças locais e a equipe do CCPBaixada. Muitas delas surgiram nas rodas de conversa promovidas semanalmente pela Cozinha Solidária CHM, que se consolidaram como espaços de escuta, orientação e organização das principais reivindicações da comunidade.
Entre os temas levados à defensora Susana e à ouvidora-geral Fabbiana Silva estiveram a ausência do benefício eventual de cestas básicas no Cras Chatuba, situação que agrava a insegurança alimentar de diversas famílias; o abastecimento irregular de água na parte mais alta da comunidade; as dificuldades de acesso aos serviços de saúde; além de outras questões relacionadas à garantia de direitos no território.
O encontro resultou em encaminhamentos para o acompanhamento das demandas apresentadas e reforçou a importância da aproximação entre as instituições públicas e a população, criando canais de diálogo capazes de transformar reivindicações em ações concretas.
Participaram da atividade o diretor-presidente do CCPBaixada, Ivan Machado; o gestor administrativo, Lucas Reis; a assistente social, Patrícia Lyra; lideranças locais como Bruna Simãozinho, do Instituto Mundo Novo, João Paulo, da Associação de Moradores, e integrantes da equipe da Cozinha Solidária CHM.
Essa visita reforça a importância da participação popular na construção de políticas públicas. Quando as demandas do território são sistematizadas e chegam às instituições por meio do diálogo, ampliam-se as possibilidades de respostas efetivas para quem convive diariamente com esses desafios.
Sexta-feira, 19 de junho de 2026
Projeto leva sessões gratuitas de cinema brasileiro e rodas de conversa às famílias acompanhadas pela Cozinha Solidária CHM
Na manhã da última terça-feira, dia 16 de junho, o Cineclube Genário de Moura realizou a primeira sessão da Tela Brasil na Chatuba de Mesquita. A atividade reuniu moradores atendidos pela Cozinha Solidária CHM para a exibição do curta-metragem Mergulho, dirigido por Marton Olympio e Anderson Jesus, seguida de uma roda de conversa sobre os temas levantados pela obra.
A iniciativa busca ampliar o acesso ao cinema brasileiro e transformar o audiovisual em ponto de partida para reflexões sobre o cotidiano, os desafios e as perspectivas da comunidade. As sessões passam a integrar a programação regular do Cineclube, aproximando as famílias do território da produção audiovisual nacional.
Criada pelo Governo Federal, por meio do Ministério da Cultura (MinC), em parceria com a Universidade Federal de Alagoas (Ufal), a Tela Brasil é uma plataforma pública e gratuita dedicada exclusivamente ao cinema e ao audiovisual brasileiros. O catálogo reúne filmes, séries, documentários e curtas-metragens que podem ser acessados gratuitamente pelo site ou aplicativo da plataforma, mediante login com a conta Gov.br.
A incorporação da Tela Brasil à programação do Cineclube amplia as possibilidades de acesso a esse acervo, especialmente para moradores que muitas vezes encontram poucas oportunidades de frequentar salas de cinema ou conhecer a diversidade da produção audiovisual brasileira.
Criado pelo CCPBaixada em 2023, o Cineclube Genário de Moura nasceu com o objetivo de difundir a produção audiovisual da Baixada Fluminense, incentivar o debate sobre o cinema produzido na região e promover encontros que aproximem cultura, território e participação comunitária.
As sessões da Tela Brasil acontecem às terças-feiras, a partir das 10h, no Espaço Sociocultural São Francisco de Assis, localizado na Rua Abaeté, nº 11, na Chatuba, em Mesquita. O público prioritário é formado pelas famílias acompanhadas pela Cozinha Solidária CHM, que também realiza, às terças e quintas-feiras, a distribuição de refeições produzidas pelo projeto.
Quinta-feira, 26 de março de 2026
Participação em debate sobre soberania alimentar reforça atuação do CCPBaixada no enfrentamento à fome e na defesa dos territórios da região
O Centro de Cultura Popular da Baixada Fluminense (CCPBaixada) esteve no 2º Fórum Climático de Magé, realizado no último sábado, dia 21 de março, no CIEP 327 – Pedro Américo, em Suruí. Com o tema “Territórios e Maretórios por Soberania Alimentar”, o encontro reuniu centenas de participantes e reafirmou um ponto central: não há segurança alimentar sem a proteção dos territórios e de quem vive deles.
A assistente social Patricia Lyra participou de uma das mesas como representante do CCPBaixada e levou ao debate a experiência concreta de quem atua no enfrentamento à fome nas periferias. Cofundadora e coordenadora da Cozinha Solidária CHM, na Chatuba, em Mesquita, ela apresentou um panorama da insegurança alimentar a partir da realidade do território.
Segundo Patricia, o trabalho do CCPBaixada no enfrentamento à fome nasce de uma realidade urgente: pacientes com tuberculose que não conseguiam dar continuidade ao tratamento por falta de alimentação adequada.
— Uma pessoa com fome não consegue manter o tratamento. E, com fome, a gente não faz nada.
A partir dessa experiência, surgiu a Cozinha Solidária, inicialmente voltada ao apoio de pessoas em tratamento de tuberculose e, hoje, ampliada para o atendimento de famílias em situação de insegurança alimentar grave.
— A fome tem essa característica. Ela é a última das violações de direitos que conseguimos identificar, porque, quando alguém está com fome, muitos outros direitos já foram violados. A pessoa que comeu agora não sabe se vai jantar ou se vai comer amanhã.
Ao longo da fala, Patricia destacou que a fome não pode ser tratada como uma questão isolada, mas como expressão de desigualdades estruturais que atravessam o território.
Cozinhas solidárias e respostas do território
A participação do CCPBaixada no fórum também evidenciou o papel das iniciativas comunitárias na construção de respostas concretas para a crise alimentar. A partir da experiência na Baixada Fluminense, a organização reforça que soluções efetivas nascem da escuta, do vínculo e do reconhecimento das realidades locais.
Nesse contexto, Patricia Lyra destacou as cozinhas solidárias como uma tecnologia social construída dentro dos próprios territórios, com capacidade de articular cuidado, acolhimento e acesso à alimentação.
— As cozinhas solidárias ocupam esse lugar de resistência. Somos um equipamento de segurança alimentar que não é do poder público. É tecnologia social, ancestral, construída por nós para nós mesmos.
Ela também ressaltou a diferença desse modelo em relação a outros equipamentos públicos de alimentação, ao enfatizar o vínculo direto com as famílias atendidas.
— Na Cozinha Solidária, você entra, é acolhido, recebe informação e pode levar alimento para toda a sua família.
Ao abordar os impactos da fome, Patricia chamou atenção para a infância e para os efeitos duradouros da insegurança alimentar.
— Uma criança que dorme com fome não sonha com futuro.
A assistente social também fez um alerta sobre a invisibilização do problema na região.
— Não podemos permitir que digam que a Baixada Fluminense não tem fome.
Soberania alimentar em debate
O evento, organizado pelo Instituto Mirindiba, também marcou o lançamento do Guia Popular de Soberania Alimentar e Combate à Fome em Magé (RJ), voltado à incidência política e à garantia de direitos. A gestora ambiental Carla Lubanco, presidente da organização, destacou o papel do material na articulação entre território, cultura e participação social.
— O desenvolvimento sustentável nasce da conexão entre território, cultura e engajamento coletivo. O guia representa um passo fundamental para pensarmos a garantia de direitos no contexto da crise ambiental, oferecendo base para que lideranças reivindiquem políticas públicas que protejam nosso ecossistema e as comunidades que dependem dele — destacou
O deputado federal Henrique Vieira também destacou a centralidade do tema:
— Sem a garantia de uma alimentação saudável, a própria vida não é possível. Infelizmente, a fome no Brasil é fruto de um projeto econômico que coloca o lucro e o dinheiro acima da dignidade das pessoas e do bem comum — disse.
Ao longo do dia, o fórum reuniu lideranças comunitárias, pesquisadores e organizações sociais em debates sobre racismo ambiental, acesso a alimentos saudáveis e os desafios enfrentados por agricultores e pescadores da região. A participação do CCPBaixada reforça o compromisso com a defesa de direitos e com a construção de soluções a partir dos territórios da Baixada Fluminense.
Fotos: Juliana Portella
Por Direção do CCPBaixada
Domingo, 15 de março de 2026
As declarações do apresentador Ratinho sobre a deputada federal Erika Hilton trazem à tona um debate urgente no Brasil: o limite entre liberdade de expressão e discursos que negam a dignidade e a existência de pessoas.
Durante seu programa de TV, Ratinho questionou a legitimidade de Erika Hilton como mulher ao afirmar que “para ser mulher tem que ter útero e menstruar”. A fala ocorreu após a eleição da parlamentar para a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados. A deputada reagiu acionando o Ministério Público de São Paulo e solicitou a investigação das declarações como possíveis casos de transfobia, injúria transfóbica e violência política de gênero.
Mais do que uma polêmica pontual envolvendo uma figura pública e um apresentador de televisão, o episódio expõe um problema mais profundo e estrutural: a persistência de discursos que tentam deslegitimar identidades trans e excluir essas pessoas da vida pública.
A negação da identidade de gênero de uma mulher trans não é apenas uma opinião pessoal. Trata-se de um discurso que reforça preconceitos históricos e alimenta ambientes de hostilidade e violência, sobretudo quando amplificado por meios de comunicação de grande alcance, como o SBT.
No Brasil, país que há anos figura entre os que mais registram assassinatos de pessoas trans no mundo, esse tipo de fala tem consequências que ultrapassam o campo simbólico.
Também é importante observar que a afirmação feita pelo apresentador não atinge apenas mulheres trans. Ao reduzir a identidade feminina a critérios biológicos, como útero ou menstruação, esse discurso acaba por excluir inúmeras mulheres cisgênero: aquelas que não menstruam, as que passaram pela menopausa ou as que precisaram retirar o útero por motivos de saúde.
A tentativa de estabelecer um modelo único de mulher reforça uma lógica de controle sobre corpos e identidades que historicamente tem servido para restringir direitos, negar existências e matar.
A eleição de Erika Hilton para presidir a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher representa, por si só, um marco na política brasileira. Mulher trans, negra e oriunda das periferias, sua trajetória simboliza a ampliação da diversidade na representação política. Questionar sua legitimidade com base em preconceitos não contribui para o debate democrático. Pelo contrário, o enfraquece.
Em uma sociedade plural, divergências políticas são naturais e necessárias. No entanto, o debate público não pode se sustentar na desumanização de indivíduos ou de grupos sociais. Quando uma identidade é negada, abre-se espaço para que direitos também sejam negados.
Instituições públicas, meios de comunicação e a sociedade civil têm responsabilidade na construção de um ambiente de respeito e de convivência democrática. Investigar declarações que possam configurar discriminação não é censura. É reconhecer que a liberdade de expressão não pode ser utilizada como escudo para discursos de ódio.
Para organizações comprometidas com a cultura popular, com os direitos humanos e com a valorização das diversidades que compõem o tecido social brasileiro, episódios como esse reforçam a necessidade de vigilância e posicionamento.
A Baixada Fluminense, território marcado por múltiplas identidades culturais e sociais, também é espaço de convivência entre diferenças. Defender a dignidade de todas as pessoas — independentemente de gênero, origem ou trajetória — é parte essencial da construção de uma sociedade mais justa.
Respeito não é concessão. Respeito é princípio básico de qualquer democracia.
Deputada Erika Hilton | Foto: Reprodução/Instagram